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27 de Junho de 2017

Comecei a advogar e agora?

Neste artigo trago algumas dicas aos jovens advogados (como eu) para começar na advocacia com o pé direito.

Thiago Noronha Vieira, Advogado
Publicado por Thiago Noronha Vieira
mês passado

Comecei a advogar e agora

Há quase um ano atrás, estava nessa mesma situação. Recém-formado, recém-ingresso na OAB, despedido do emprego, com muitas ideias, muitos sonhos e muitas dúvidas. O objetivo deste artigo que, em verdade, pretendo que seja bem curto é trazer algumas ideias que funcionaram comigo nesse meio tempo e, acredito, possa ajudar alguns dos jovens causídicos.

Antes de tudo, tenha convicção de que é isso que você quer para sua vida. Não vou trazer nenhum artigo motivacional ou contando das grandes maravilhas que é advogar. Como qualquer outra profissão, estar na advocacia exige compromisso, seriedade e responsabilidade. Pense como um empreendedor em si mesmo, então terá de dedicar esforços não só para resolver os problemas dos outros (demandas), mas também ampliar sua rede de contatos (networking), qualificar-se profissionalmente e, sobretudo, dar conta da lida processual.

Sendo assim, a primeira dica é: elenque áreas de atuação. Pelo menos duas à três. Essa é dica básica, quase todos os artigos sobre esse tema trazem, mas é a mais pura verdade. Sendo prático, elenque as áreas que você não quer atuar de jeito algum. Depois, elenque as as áreas que você pode atuar, mas não vai se focar tanto. E, por fim, eleve duas ou três para serem as que você vai se focar.

Pergunta: Por quê não uma só área de especialização? Li vários artigos que falam que especializar-se é o caminho.

Resposta: Já ouviu a anedota "maçã podre no meio de um cesto de maçãs boas estraga as demais"? Você está em começo de carreira então, por esse motivo, não pode se dar ao luxo de recusar clientes. Obviamente, você não precisa ser um generalista (é impossível, esqueça!), mas também não precisa ser um especialista de cara.

A segunda dica, então, é: faça amizades. O que?! Parece estranho? Mas é uma dica valiosíssima. Pense comigo, se você elencou algumas áreas que não atua, supõe que as pessoas ao seu redor (colegas advogados) também tenham feito o mesmo. Então, quando chegar um cliente de uma área que você não atua, ao invés de recusá-lo, você vai encaminhá-lo a um colega que atua na área. É o princípio da cooperação que deve nortear as relações entre colegas. Lembre-se: os litígios são das partes, não dos advogados. Aqui, outra dica é entrar em grupos nas redes sociais e aplicativos de mensagens para conhecer colegas para suprir essa necessidade.

Ainda dentro dessa dica, é importante frequentar outros espaços. Pense nas áreas que você elencou como prioritárias. Onde as pessoas (potenciais clientes) destas áreas estão ou se relacionam? É nesses espaços que você deve ocupar e se fazer presente. Por isso, o networking é fundamental.

Terceira dica: não tenha pressa, estude. Recebeu um cliente, fez a análise de viabilidade, firmou contrato e assinou procuração? Calma... Não precisa ter pressa para entrar com a ação. Mesmo uma demanda de massa ou simplória pode trazer nuances. Debruce-se sobre o caso, pesquise jurisprudência, analise as provas que tem em mãos (ou a disposição). Acredite, já tive processos que tiveram contratempos por conta da ansiedade de entrar em detrimento de um estudo aprofundado sobre detalhes (como competência, por exemplo).

Quarta dica: assista. Opa, não é para fazer maratona de Suits ou The Good Wife não. Estou me referindo a assistir audiências. Lembro-se que quando dei entrada nos meus primeiros casos eu tinha uma janela de uns dois meses entre a data de protocolo até as audiências de conciliação. Então, reservei algumas manhãs da minha agenda para ir até as varas e juizados onde tramitariam meus processos e assisti audiências. É importante fazer uma análise crítica das audiências. Observe como seus colegas e o magistrado se comportam. Isso vai trazer mais segurança sobre o procedimento e, sobretudo, como sacar detalhes que somente na mesa de audiência se desenrolam. Não à toa, continuo fazendo isso até hoje.

Quinta dica: não se desespere. Advocacia é uma profissão de longo prazo. Estou sentindo na pele isso. O processo, como o próprio nome já diz, traz consigo uma carga de formalidades e atos que deixam a questão incerta (Exemplo: ter uma reforma num processo procedente no primeiro grau e ver todo seu esforço até ali indo por água abaixo; Uma execução frustrada que não encontra bens; dentre outras questões).

Com isso, não digo para, pacientemente, esperar que o sucesso venha. Mas que continue atuando proativamente nas dicas anteriores para que sua rede amplie e você possa continuamente progredir. A meta é simples: desenvolva 1% a mais todos os dias. Quando olhar para trás, verá o quanto evoluiu.

Gostaram das dicas? Tem outras? Vamos construir juntos nos comentários!

76 Comentários

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Concordo com você! Como jovens advogados temos que acreditar na nossa capacidade de alcançar os elementos que vão nos levar ao sucesso na advocacia. Temos que acreditar e empenhar sem medo no nosso trabalho. continuar lendo

Obrigado pelo seu comentário, Marcela. Vamos juntos! :) continuar lendo

Prezado Dr Thiago, parabenizo pelo conteúdo.
Sempre quando vejo artigos motivadores, faço questão de ler e recomendar.

Então, para colaborar

Existe uma receita para ser um bom Advogado
https://pauloabreu14.jusbrasil.com.br/artigos/454180788/existe-uma-receita-para-ser-um-bom-advogado

Como ser um advogado Correspondente
https://pauloabreu14.jusbrasil.com.br/artigos/455848503/como-ser-um-advogado-correspondente-de-nivel

Deseperar-se Jamais.
https://pauloabreu14.jusbrasil.com.br/artigos/441165611/desesperar-se-jamais

Abraços
Sucessos continuar lendo

Saudações, Dr. Paulo Abreu,

Entrei em dois dos endereços que você colocou e agrada-me o modo como desenvolve suas ideias. Acredito que temos muito a contribuir com essa juventude advocatícia que vem chegando. Não é fácil, mas precisamos seguir adiante.

Obrigado pela atenção e pelo comentário! continuar lendo

Prezado Dr Thiago

Agradeço também pela atenção.
Creio que na advocacia, devemos sempre nos sentir jovens advogados, ou recém chegados, pois todo dia é dia de aprendizado, assim o faço quando leio seus artigos.
Grande abraço. continuar lendo

Artigo, simples, direto e de ajuda colossal. Obrigado! continuar lendo

Eu quem agradeço, vamos nessa! continuar lendo

Droga, já tava indo fazer uma maratona de Suits, uhauhauhahauh.
Brincadeira. Excelente artigo, Dr. continuar lendo

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Vale à pena, mas é preciso assistir sempre com uma análise crítica. Eu e minha namorada temos o costume de assistir muitas séries. Suits é uma delas. Quando começamos ela ficou super empolgada com o sistema judiciário americano, as frases de efeito na corte, as negociações. Então, certa vez, precisei de um preposto para uma audiência e levei ela, quando ela entrou na audiência e viu tudo transcorrendo diferente (a começar pela disposição das partes na mesa, em juizado) ficou decepcionada.

Abraços Estevan e obrigado pelo comentário bem humorado! Vamos nessa! continuar lendo

Sim , com certeza!
Suits acaba tendo um efeito inverso, né?
Só serve pra desiludir o pessoal.
Hahahhaha.
O mais legal dos EUA é o fato dos adv. poderem colher depoimentos em seus próprios escritórios. continuar lendo