jusbrasil.com.br
3 de Abril de 2020

Antifragilidade na advocacia: como esse conceito pode salvar seu 2020

Antifrágil é um conceito desenvolvido pelo escritor bestseller Nassim Nicholas Taleb. Este conceito surge de uma analogia para buscar o antônimo da palavra “frágil”.

Thiago Noronha Vieira, Advogado
Publicado por Thiago Noronha Vieira
há 3 meses

(Fonte: Google Imagens)

Habemus recesso!!!

Se eu falar para vocês que este artigo já estava escrito, em minha mente, faz uns dois meses, mas somente agora eu tive como sentar e escrever, ‘cês acreditariam? Pois é, 2019 passou como uma locomotiva por quase todos nós e eu chequei a compartilhar aqui (clica ó!) todo o processo de reconstrução pelo qual estou passando, pessoalmente e profissionalmente.

Recesso forense, final de ano, janeiro batendo a porta, verão. Ah, o verão... E com ele vários planos e promessas. Porém, a ideia desse artigo é propor uma reflexão profunda sobre um conceito, que no mundo dos negócios tem se propagado, sobretudo no mercado financeiro. Você já ouviu falar de: Antifrágil?! Se a resposta for não, tudo bem... bem-vindo (a), e vamos juntos desvendar esse conceito.

Ah, como sempre, antes de avançarmos, recomendo alguns materiais auxiliares, seguem:

[VÍDEO] Ser resiliente ou anti-frágil? | Murilo Gun

Enfim, o recesso chegou! | Pedro Custódio

Causo: Pago o Peru do Advogado ou o meu Abadá Carnavalesco? A ordem de prioridade invertida | Fátima Burégio

O preço do pioneirismo: o que é ser um escritório digital numa região analógica | Thiago Noronha

O que é Antifrágil?

Antifrágil é um conceito desenvolvido pelo escritor bestseller Nassim Nicholas Taleb. Este conceito surge de uma analogia para buscar o antônimo da palavra “frágil”. Ao contrário do que se pensa, o oposto de frágil não é duro (este é o oposto de mole). Frágil é algo que se quebra totalmente quando colocado em contato com uma força contrária, como uma pancada, um choque, uma pressão. O autor também afasta uma palavra que hoje está na moda que é a resiliência.

Segundo sua construção teórica, o resiliente é aquele que quando submetido a uma força contrária consegue chegar próximo ao estado original, ou seja, consegue seguir em frente ou reconstruir. Porém, o que Taleb nos apresenta como o oposto de frágil, portanto, Antifrágil é algo que quando colocada em choque não só retorna ao estágio originário, mas retorna melhor; mais forte.

O autor é famoso por outro livro, “A lógica do cisne negro” onde ele fala sobre eventos imprevisíveis no mundo dos negócios. Neste novo, introduz a incerteza como um fator desejável e até necessário para que possamos construir, no cotidiano, coisas resistentes ao imponderável. No mercado financeiro, considerando os ciclos capitalistas, a Antifragilidade se tornou a capacidade das empresas de não só resistirem a ciclos de baixa, mas também de melhorarem seus negócios em condições desfavoráveis. Mas o grande “xís” da questão é que o conceito é tão abrangente que pode ser aplicado à advocacia!

(Fonte: Google Imagens | Cena do filme Clube da Luta)

Como o conceito de Antifrágil pode ser usado na advocacia?

Lembro-me de quando conversava com meu sócio no final do ano passado (2018), durante o encerramento do exercício financeiro. Tínhamos tido um primeiro ano muito positivo, afinal, estávamos saindo do zero. Neste ínterim, conversávamos sobre as áreas de atuação do escritório (Condominial e Empresarial) e eu falei algo mais ou menos assim:

Você precisa, Saulo, pensar em setores perenes para advocacia. Por exemplo, escolhi a área empresarial, porque no nosso sistema capitalista globalizado dificilmente deixaremos de ter corporações, até porque a iniciativa privada é uma garantia constitucional. Tivemos mudanças muito severas no ano passado [2017] com o direito do trabalho e eu já pude ver que essa área vai mudar bastante. Quer dizer que vai deixar de ter relações de trabalho que a área vai acabar? Não... pelo menos nos próximos cinco anos. Mas é um futuro incerto.
Quem apostou suas fichas, estruturando escritórios para atuação contenciosa exclusiva em trabalhista está passando e vai passar severas dificuldades. Então, o advogado precisa estar atento a essas mudanças, seja para aproveitar oportunidades nas mudanças, seja para escolher setores perenes.

E a conversa entre nós continuou... Eu não sabia, mas naquela época já estava aplicando o conceito de antifragilidade na advocacia. Você, que está lendo este artigo, neste exato momento, faça-se a seguinte pergunta: Quais ramos do direito dificilmente mudariam nos próximos cinco anos?

Certamente você vai chegar em áreas como: empresarial, consumidor, família, imobiliário, constitucional. São áreas que são mais perenes, que tem legislações mais consolidadas. Contudo, há áreas como: trabalho, tributário, previdenciário; que passaram (ou vão passar) por mudanças muito recentes que ainda, sequer, tiveram um tempo de acomodação da jurisprudência. Está tudo muito novo nessas últimas áreas.

Utilizando novamente o exemplo da área trabalhista, muita coisa foi mudada com a Reforma Trabalhista, porém muitos advogados da “velha guarda” não quiseram se adaptar. O resultado? Uma queda vertiginosa das reclamações em todo Brasil (matéria do Nexo Jornal), afetando todo esse ramo do direito. Isso quer dizer que as relações de trabalho acabaram? Isso quer dizer que os litígios deixaram de existir?

(Fonte: Nexo Jornal)

Apesar de parecer assustador, sobretudo para uma advocacia mais clássica, o (a) advogado (a) Antifrágil precisa entender esses movimentos e se adaptar. Fazer mais e melhor! Aqui vou dar o braço a torcer, 2019 foi o ano onde mais tivemos mudanças (até então) no ramo do direito empresarial. Principalmente, com a Lei da Liberdade Econômica, Trabalho Verde Amarelo e algumas legislações esparsas na área de inovação e startups. Com a avalanche de prazos, pouco tive tempo para estudar a fundo as legislações. Contudo, minimamente, mantive-me atualizado.

Isso me permitiu ver brechas, soluções e sinalizar para clientes novas possibilidades. Produzir conteúdo sobre isso e, consequentemente, reinventar a minha advocacia. O nosso material é o conhecimento e precisamos estar sempre atentos às mudanças.

(Fonte: Google Imagens)

A hora de pensar é agora!

O começo de ano e a pausa nos prazos é um momento propício para repensar as estratégias e, se for o caso, pensar sobre as áreas de atuação. Faça um outro exercício mental: quais setores possuem a maior probabilidade de continuarem a existir pelos próximos cinco ou dez anos?

Essa pergunta, num primeiro momento, parece absurda. Mas ela tem a ver com outra dura realidade: a advocacia como conhecemos está com seus dias contados. Repetir tese, copiar e colar, fazer audiência como correspondente, despachar pessoalmente... cada vez mais a tecnologia vai eliminar ou modificar completamente a forma como fazemos determinadas coisas.

Isso quer dizer que a advocacia vai acabar? Certamente não! Porém, o que ela for virar vai depender do quão Antifrágil você vai se tornar para, contra o choque, reinventar-se!

(Há) Braços!

Gostou? Que tal compartilhar este artigo na sua rede!

Se você quiser adquirir o livro "Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o caos", recomendo fortemente que clique na imagem abaixo! 👇

Tem alguma crítica, dúvida ou sugestão? Fala comigo nos comentários, que é onde nós avançamos e construímos um debate mais profundo!


Thiago Noronha Vieira | E-mail: [email protected]

Advogado. Sócio do Álvares Carvalho & Noronha – Advocacia Especializada (ACNLaw). Pós-Graduado em Direito Empresarial pela PUC/MG. Presidente da Comissão de Direito Privado e Empreendedorismo Jurídico da OAB/SE. Diretor Jurídico do Conselho de Jovens Empreendedores de Sergipe (CJE/SE).

Siga-me no instagram @thiago.nvieira

4 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Gostei imensamente do quê li, caro Dr. Thiago!

Há necessidade de armaduras invisíveis a serem usadas para os embates diários e os do porvir.

A grande sacada é saber as táticas, estratégias, ter molejo, ser flexível, compreender que há cabeças e mais cabeças, massas cinzentas muito usadas e outras bastante empoeiradas, tendo em mente que a modinha da excelsa Resiliência 100% já está cedendo espaço para o oportuno ser e agir de maneira Antifrágil!
Amei este assunto.

Vou dar uma pesquisada melhor sobre esta técnica, que, pela sua sucinta e didática explanação, já disse pra quê veio!

Devo mudar muitas coisas em 2020, mas sem um pingo de remorso ou fraqueza.
Aprendi, na tora, na dura e pedagógica estrada da vida, que Franqueza é bem mais salutar que Fraqueza!
Senti muita Franqueza em seu texto!

Obrigada por, em dado momento, fazer menção a um texto de minha autoria.
Quanta honra!

Um abraço bem apertado!
Sucesso em 2020! continuar lendo

Você merece todas as menções possíveis, minha cara Dra. Burégio.

Aliás, você é um exemplo de antifragilidade sem saber. Pois está aberta a mudança sempre. Seu próprio comentário já deixa isso claro.

Que tenhamos um 2020 franco e cheio de boas mudanças!

(Há) Braços! continuar lendo

O assunto e a abordagem é muito interessante, Prezado Dr Thiago Vieira! Entretanto, "Antifrágil" me parece uma expressão daquelas que se encaixam em modismos, pois o contrário de FRÁGIL é RESISTENTE e o termo é bastante objetivo e suficiente para expressar esse momento de mutação e dinamismo que já existe há tempos, mas, como todos os outros fenômenos ligados à produção de conhecimento e, consequentemente, de tecnologia, está se acelerando.

É claro que temos algumas interpretações para a palavra resistente, como por exemplo aquele ou aquilo que "apenas resiste" e permanece intacto ou quase, absorvendo as marcas provocadas pelo "impacto". Mas também pode ser interpretado como aquele ou aquilo que não ruiu, não quebrou, não se danificou, tornando-se "experiente" ou "preparado para as mudanças" após passar pelo fenômeno que o atingiu.

Acredito, portanto, que os juristas precisamos acompanhar as mudanças no mesmo "time", tirar proveito das novidades, usar as ferramentas que estão surgindo (ao nosso favor, a favor da Sociedade) para que possamos produzir soluções a contento! Precisamos perceber, assimilar, propor e agir, para entregarmos ao cliente aquilo que é atende a demanda, resolve seu problema ou que o surpreende com respostas tão inovadoras quando os novos paradigmas.

Programas, sistemas, inteligência artificial, aplicativos, equipamentos sofisticados e a ampliação das fronteiras continuam sendo os meios! O profissional do Direito precisa saber usá-los para atingir as questões nas novas linguagens e nos novos níveis de agilidade e sofisticação requeridos pela era do conhecimento.

Um forte abraço!

Sidney Pereira continuar lendo

Prezado, a sua visão é deveras simplista, principalmente no que tange a premissa basilar do texto ofertado.
Sendo assim, em uma breve citação feita pelo autor, encontra-se:
Não há uma palavra para “antifragilidade” nas principais línguas conhecidas, modernas, antigas, coloquiais ou em gírias. Até mesmo o russo (a versão soviética) e o inglês padrão do Brookly n não parecem ter uma designação para antifragilidade, confundindo-a com robustez.b
Não temos um nome para metade da vida — a metade interessante da vida (TALEB, 2015).

Por tanto, é necessário se atentar a novas visões e propostas para que se gere tal adaptação/mudança, conforme o mencionado. continuar lendo